domingo, 28 de maio de 2017

fomos feitos um para o outro, só não estamos juntos. será? provável.. procuro o que tu tens, tu queres o que eu sou - no fundo sabemos que nos completamos, e encaixamos e combinamos da melhor maneira possível, mas...
nunca percebi porquê sempre tem de haver um 'mas...' que modifica tudo e impossibilita.
vamos tendo encontros e desencontros nesta vida. vamos envelhecendo, vamos mudando, vamos aprendendo a gostar de coisas do outro, vamos notando que afinal o outro não mudou assim tanto..
à conclusão nunca se chega, um ponto final não se põe quando alguém se despede com 'eternas saudades'. é cíclico, vicioso !

mas vejo o quanto poderíamos ter sido bons juntos.

sábado, 20 de maio de 2017

explicando a saudade

a saudade é uma palavra nossa - o idioma português tem destas particularidades - e é apenas uma palavra tão pequena, tão simples, que entra em poemas, em letras de músicas, em simples versos, ou é apenas dita sozinha e significa tanto!

Saudade dói, aperta e corroi o coração, por dentro - mesmo dentro do peito há uma sensação de falta. É sentir-se incompleto, partido e não inteiro ao mesmo tempo. Por mais que "incompleto, partido e não inteiro" signifique quase a mesma coisa, sente-se todas estas insuficiências em simultâneo. É dos sentimentos mais fortes, que movem pessoas! Ai a saudade... como é que tão poderosa! Como desconcentra mentes, tira forças, dá vontade de fugir...

Eu tenho saudades quase como se fosse uma doença crónica da qual jamais me vou livrar. Tenho saudades da minha mãe, do meu irmão, da minha família. E agora do meu namorado que foi embora há apenas algumas horas. A saudade é imensa e vai sempre aumentando, até que congela, porque afinal não se pode morrer de saudades ! (Sorte a minha).

Ter saudades de alguém, de algum momento da nossa vida, de um lugar é normal. Mas por que? Há dias ouvi uma música que não conhecia, de um cantor brasileiro, que dizia "se tá todo mundo mundo, por que é que tá todo mundo tão separado então?".

Buscamos coisas novas, distrações novas, pessoas para preencher esse vazio que eu referi, enchemo-nos de vícios para nos abstrair um bocado da realidade, aliviar a mente de modo a não perder a sanidade.

Saudade é uma filha da puta malvada. O que aconteceria se não existisse esse sentimento?

segunda-feira, 1 de maio de 2017

sobre perder tempo

Nos dias que correm, o tempo é um bem escasso, e a sua falta repercute-se nas relações pessoais e familiares, que são mais frias, sérias e rápidas - ligamos aos nossos parentes quase como por obrigação, obtemos a informação de que está tudo bem com eles e respondemos "por aqui também está tudo bem, graças a Deus..." e está feita a comunicação com a família; 

cortamos também nas amizades - tanto as que já temos, como as que poderíamos fazer, mas que não fazemos porque não há tempo para sair, tomar um café, conhecer gente nova - menosprezamos os nossos amigos, ao deixa-los sempre para depois, até ao ponto em que nos apercebemos que a parte negativa de dizer "não" muitas vezes é que faz com que as pessoas deixem de pedir, e aqueles convites insistentes aparecem com menos frequência até que deixam de nos convidar para as coisas;

A falta de tempo também tem efeitos negativos na saúde - andamos sempre a correr de um lado para o outro, com os minutos todos contadinhos para não nos atrasarmos ao que nos comprometemos. Acontece-me, por vezes, estar a ler e ter a cabeça a pensar em mais 1001 coisas para além do conhecimento que estou a tentar obter com a leitura. Então vem o stress, vem os prazos a aproximarem-se, vem os dias que passam num instante e de repente já se passou mais um semana e ... ops! já estamos quase no verão. O stress é destas "doenças modernas" como a hiperatividade, mas não vejo como não andarmos assim se estamos sempre agitados, a pensar no que ainda há para fazer, é telemóveis, é computadores, são tablets e lá vamos nós a partilhar informação de um aparelho para o outro porque o importante é estar sempre contactável, a par de tudo e a trabalhar em todo o terreno. A cabeça não descansa, o corpo não tem descanso.. e assim vemos que nos falta tempo de ir a um parque, de fazer uma caminhada porque tudo o que queremos, no fundo, é "não fazer nada e descansar". As vezes é tudo o que eu quero, parar um bocado e desligar de tudo, fazendo literalmente nada. E a cabeça continua a chatear porque há coisas que devem ser feitas, não se deve deixar sempre tudo para o fim.. e lá se vai fumando cigarros e cada vez mais cigarros, porque a ansiedade assim o determina. E quando se arranja tempo de ir ao ginásio, sente-se esse fumo todo do tabaco nos pulmões que apertam. «Mas vá, não dês muito tempo de descanso entre os exercícios porque o teu treino leva muito tempo e NÃO TEMOS TEMPO PARA ISSO!!! Temos de sair daqui a correr, comprar pão, ir para casa fazer o jantar, estudar mais um bocado, dormir cedo, acordar as 7h, repete.» diz-me a minha consciência...

A escassez de tempo disponível faz com que as pessoas tomem, geralmente, decisões precipitadas e infundadas. Aceitamos o que nos dizem sem investigar, sem nos informarmos «vá, deixa assim e já fica feito», sem grandes fundamentos por trás da decisão.

Deixamos de ir a lugares e quando vamos, vamos carregados de livros - nem se usufruiu nem se aprende. Deixemos simplesmente de ir porque existe a crença de que o proveito vem depois do trabalho..

Deixa-se também de se fazer coisas simples (para pessoas com vidas mais sossegadas) como, ver televisão, por exemplo. Não me lembro de acompanhar uma novela há anos. Da televisão, vejo notícias, no telemóvel enquanto faço as minhas refeições.

As relações sexuais são frustrantes quando não correm como o expectável «fogo, perdi esse tempo todo para nada!» reclamo, por vezes, com o meu namorado, pobre rapaz. 

O tempo corre e nós corremos com ele, ou pelo menos tentamos. Vemos a vida a passar num ápice. Vejo me a perder oportunidades por estar agarrada a certas coisas.

"Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido."

Recuso-me a ser assim também. Quero sentir a vida a passar e ter a sensação de que estou, de facto, a vive-la e não apenas a existir a pensar num futuro brilhante. Eu vou ter um futuro brilhante, mas também quero um presente que floresça e que me faça brilhar de felicidade, e não apenas a andar por aí a caminhar como um zombie.